Mangakás – Uma pequena análise

Continuando a nossa coluna de análises, dessa vez vamos abordar em detalhes o processo do grupo CLAMP em se tornar o que é hoje, um dos mais reconhecidos grupos de mangakás!

Mas primeiramente, você sabia que antes dos mangakás se tornarem reconhecidos, eles frequentaram um clube de aficionados por mangás nos seus tempos de escola?

Pois é, no seu país de origem, o Japão, para você se tornar um mangaká você pode estudar em várias escolas especializadas, uma das mais conhecidas é a Gekiga-sonjuku, que foi fundada pelo roteirista Kazuo Koike. E para você ficar conhecido como um mangaká, você precisa participar de concursos e tentar ser o melhor.

E quem faz esses concursos? as editoras! anualmente, as editoras fazem concursos para tentar descobrir novos talentos.

Mas não para por aí, a principal maneira de se tornar aspirante a mangaká, com certeza são os dôjinshis, ou melhor dizendo, fanzines. E um grande exemplo de fanzines, é nada mais nada menos que o grupo CLAMP.

No começo dos anos 70 o termo dôjinshi, era empregado para definir esse tipo de boletim e panfleto impresso individualmente, ou também por grupos.

Em 1975 através de um grupo de críticos de mangás, nasceu o evento Comic Market. O surgimento desse evento nasceu com a  crise econômica do ano de 1973 que gerou desespero nas editoras em procurar novos mangakás.

Esse evento mostrou muitas oportunidades, além de ser realizado duas vezes ao ano, com o sucesso do Comiket, também estreou o Comic City que teve seu fim em 1994 e exercicia a mesma função de divulgar novos mangakás.

Hoje em dia, CLAMP vive do seu trabalho com mangás, mas a concorrência não é pequena, são mais de 3.000 autores de mangás no Japão. Mas ser um mangaká renomeado exige muito trabalho, a maioria precisa produzir dezenas de páginas por semana. Muitos deles contam com estúdios próprios, que contam com funcionários para colorir, contornar e até limpar o local.

Se você que está lendo essa materia e quer se tornar um mangaká mas precisa de dicas, então vamos apresentar para você um professor de mangá da ACJ – Associação da Cultura Japonesa de Porto Alegre – Rio Grande do Sul;

Nicolle Editora Escala: Gostaria que você se apresentasse e contasse um pouco sobre você:

Yuji: Meu nome é Yuji Shinozaki Schmidt, tenho 24 anos e sou professor já sete meses na Associação de Cultura Japonesa de Porto Alegre – RS. Sempre gostei de mangá desde pequeno, porque minha mãe e avó são japonesas, então tinha sempre revistas que traziam do pessoal da comunidade, Sem falar em animês, filmes que eu assistia em vídeos que parentes e conhecidos do Japão mandava, Fora isso, lia Mônica, revistas da Disney e Homem-Aranha. Sempre desenhei e, desde que eu me lembro sempre me expressei através do desenho, mesmo quando não entendia o que era o mangá. Ilustrei meu primeiro livro com 13 anos, escrito por um professor da escola. Depois que entrei na faculdade, em 2009, participei de algumas exposições coletivas e me formei em 2009. Comecei então a dar aulas de mangá na ACJ em fevereiro. Por enquanto, não fiz exposilçoes individuais , mas tenho uma marca para o final do ano, e trabalho também como freelancer, fazendo ilustrações, design de logos etc. Pretendo seguir, por enquanto, como ilustrador e artista plástico, mas, se possível, também quero trabalhar como quadrinista.

Nicolle Editora Escala: Como professor de mangás, você deve saber quais são os elementos principais que não podem faltar num mangá. Gostaria que você falasse um pouco quais são estes elementos e por que eles são importantes para que um mangá possa vir a fazer sucesso.

Yuji: Independente do estilo, acho que é necessário uma história envolvente, que mantenha o leitor interessado, O desenho também é muito importante e deve explorar as possibilidades que o roteiro oferece. Esses são fatores essenciais para qualquer tipo de quadrinhos, não só o mangá, Mas falar em sucesso é um pouco complicado, é preciso estar conectado com o gosto e as necessidades do público alvo, se não, mesmo um mangá bom pode não ser bem recebido.No Japão, as grandes revistas semanais realizam periodicamente pesquisas de opinião, para saber como anda a recepção da história um autor continua na revista ou não, e até mudar o andamento da história.

Nicolle Editora Escala: Quais são os gêneros de mangá que são mais complicados de se produzir uma boa história e por quê?

Yuji: Para mim, são aqueles com temas específicos, como esportes, culinária, histórias sobre o trabalhador assalariado comum etc. Neles, o autor precisa realizar uma pesquisa e trabalhar os acontecimentos da história a partir daí, com os mesmos desafios de se estar criando uma história dentro de um universo próprio. A história será direcionada também às pessoas que vivem aquilo, então é necessário ser fiel e interessante. Também é difícil quando existe uma demanda por um determinado tipo de história, como no caso do Shonen Jump, onde existe ideais a serem seguidos, é muito fácil acabar caindo em clichês pois muito dessas histórias são baseadas em semelhantes do gênero. Nesse sentido, Death Note é extremamente original, pelo menos como iniciativa da editora.

Nicolle Editora Escala: Para finalizar, gostaria que você nos desse alguma dica importante para quem quer entrar neste mercado e se tornar um mangaká.

Yuji: Criar o máximo possível de histórias, se reunir com pessoas mais experientes  e estudar, de técnicas de desenho a leitura de livros de ficção e arte e tentar compreender a cultura de ambos os países. E ser original, afinal, estamos falando de uma expressão artística.

- Espero que tenham aproveitado essa pequena ajuda que o site proporcionou para vocês, espero que tenham gostado e também não deixem de comentar pelo post ou via twitter, e para quem assina o Geass Cast pelo iTunes, já está disponível o episódio 2!

- Se for copiar essa coluna, dê os créditos para o site.

Então é só, até mais!

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3 Responses to “Mangakás – Uma pequena análise”

  1. hokuto-sama says:

    muito boa a coluna hein, parabéns!
    Deve ter pesquisado bastante~ tinha até algumas coisa que eu não sabia…
    e aff shonen jump é um porre, a unica coisa que prestou naquilo é DN fato
    go go clampbrasil!

  2. Marcos says:

    Muito boa esta “pequena análise”, congrats
    também concordo que DN é original até certo ponto \o
    agora é só eu treina meu trasso e vira mangaká! xD

  3. COTEMIG3 says:

    Fodastica a Materia, Fullmetal Alchemist!

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RT @Guibilar: Ainda bem q o @CLAMPBrasil ñ foi alvo de ataques, se não eu iria caçar os hackers até a morte! - #FORAPUNCHFANSUB1 month ago